faz frio em são paulo,
hoje
e talvez nada mude assim tão de repente
a correria do metrô
a lerdeza do trânsito
as putas da augusta
os mendigos e
ladeiras semanais
são só fatos que retratam o cotidiano
e não muda,
pelo menos
at first sight
penso comigo porque teria de ser logo eu a mudar
se na vida tudo é passageiro
só me resta adaptar
mas a mulher que me fala de ontologia, discorda
insiste em dizer que a metafísica é o grande porquê
e que tudo se transforma
pois o dilema da vida, na verdade, é o dilema de ser
que a hora e vez é o agora
procuro no exílio a literatura
e ela me traz a moça argentina
dizendo que o exílio capta os aspectos da história em seus restos
e me fascina
ela
que viaja no tempo e desliza nas palavras procurando algum lugar
se sente livre porque nas letras o que faz, realmente, é querer voar
em liberdade e apenas
a favor da arte
e volto porque preciso
não porque quero
entendo que o olhar é a janela da alma
e fico aqui para enxergar
peço calma, calma e mais calma
porque além de mudanças, exílio e o olhar
o que mais quero no momento é somente
respirar
te
24 maio, 2010
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