02 agosto, 2010

em partes

estranhei a familiaridade
de chegar ao estranho
e o desconforto
de ficar no conhecido
as paredes exalam o cheiro
da jaula
do concreto
e derretem na fumaçativa
tragando
e trazendo o verde de outrora
pras velhas memórias
e as novas feridas

-às vezes cansa
daquele mesmo contrato
da menina, que antes santa,
e agora
com um filho nos braços
- coisa de herege
eles dizem
e de boca em boca inventam um papo
talvez seja por isso
que a realidade
de outras cidades
atrai de forma absurda
viver cercado de contos de fadas
com o vazio que preenche o nada
em falsas histórias tristes
de verdades mentirosas
eu fico com o estranho
e subo as escadas
encontro com os hippies
e trombo
com argentinos maconheiros suicídas
optando pelas fábulas das prostitutas
porque viver entre coqueiros
é viver de mente calada
a sombra calma engana
todos nós
que pensamos estar juntos
porém, lá fora
as pessoas são substitutas
são filhas da puta
são felizes
mas estão
sós

-engano estranho
profano e arranho
o plano de pano
estranho engano
é ser humano

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