14 novembro, 2010

entre tantos

pensei nos sonhos
nos passeios
nas conversas
nos beijos
nos anseios
um abraço
do meio
pro fim

quem me dera ser assim
acreditar no amor
sentir sem temer
e crer no jogo
que a vitória permaneça
no seu posto
onde deveria ficar

meu lugar é no alto
onde ficam as cores
os pássaros
onde tudo é mais calmo
e eu te vejo de longe

porque eu fito e queixo
fico no eixo
entre o desejo e o medo
do tato
do horizonte
da volta sem ter ida
das antigas poesias
jamais feitas
jamais lidas

a única certeza
é de que amanhã
haverá sol
e a manhã dedilha
em notas claras
os raios solares
de lá
até si bemol

já que as noites são cortadas
pelo sentimento vazio
o rio lento
antes percorria aqui
hoje ele perde a rota
e bate à porta
do desconhecido

e pede abrigo
mas esconde o passado
o pretérito do futuro
o vocativo não chamado

e o eu-lírico vai vivendo
as penumbras
dos sentidos
jamais tidos
como verdade
absoluta

Um comentário:

Thaysa disse...

Lindo, lindo! Adorei Yas!
Faz todo sentido =)