04 outubro, 2013

à la carte da arte

1.CATARSE E MEMÓRIA

não escrevo no papel 
porque a rasura fica
escrevo o antigo no moderno
o meu bloco de notas é concreto
fito o delete no vento, 
prefiro o deleite
do (seu)
tempo


2.SONHO HEREGE

não ter vergonha em não fazer édipo
e sim de ter feito

o meu ataque precisa de alvo
dramaticidade histérica
saindo de dentro do
peito
pra
fora

a (in)diferença é
a única arte que te tira do seu lugar pro meu.

a histeria é histórica
vem do fingimento

(poeta que finge aprender
apreendendo,
eu entendo)

histeria é a heresia dando
adeus 
aos deuses
à realidade física


3.PODER E POTÊNCIA

o papel da mulher
é plantar sem colher
florir sem fluir
na colheita infeliz
na chepa com Chopin
(não mexa no status,
nos olhos cansados
de ressaca,
chapada,
de-capitada)
da mulher do século moderno
do tempo simbólico
às claras
e em alto
tom
bemol
maior


4.MELANCOLIA LEVE

é sabedoria.
só os loucos são sábios
só os loucos sentem a dor 
antes de acordar
a noite (sendo) em sintoma
é o equilíbrio do devaneio
à fantasia nos eixos
certeiros


5.LEITURA TESSITURA

é preciso de jogo de cintura
pra tanto vai e volta
lembra e esquece
ouve e cega
falho a fala
na certeza
intermediada
autoanalisada
na dúvida


6.CINEMA É AÇÃO


quero morte sem pendências
amor com violência

(enquanto só a aparência é
representada)

o ambiente vem do filme
a atmosfera vem da arte
quem balança não cai, 
canta, cansa, dança

(atrás das grades)

o encontro do desencontro
é o romântico por excelência

quero por própria experiência
matar a minha vontade de morrer
mas de ser reconhecida
na tua boca,
na tua tela
ou num livro
da (nossa)
vida


7.AGRESSIVIDADE SUBLIMADA


quando a inspiração vem da luz mais clara
a piração da ilusão arremata
o surto no susto

(o surto só é coerente com o pensamento de quem pensa)

e o amor
(inconsciente)
só segue seguindo 
se eu der sentido,
papel e caneta,

luz
câmera

ação

ao destino.

cinema é tudo, 
senão
isso:

ver, 
sentindo 
que não 
está 
sendo
visto.



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