não escrevo no papel
porque a rasura fica
escrevo o antigo no moderno
o meu bloco de notas é concreto
fito o delete no vento,
prefiro o deleite
do (seu)
tempo
não ter vergonha em não fazer édipo
e sim de ter feito
o meu ataque precisa de alvo
dramaticidade histérica
saindo de dentro do
peito
pra
fora
a (in)diferença é
a única arte que te tira do seu lugar pro meu.
a histeria é histórica
vem do fingimento
(poeta que finge aprender
apreendendo,
eu entendo)
histeria é a heresia dando
adeus
aos deuses
à realidade física
o papel da mulher
é plantar sem colher
florir sem fluir
na colheita infeliz
na chepa com Chopin
(não mexa no status,
nos olhos cansados
de ressaca,
chapada,
de-capitada)
da mulher do século moderno
do tempo simbólico
às claras
e em alto
tom
bemol
maior
é sabedoria.
só os loucos são sábios
só os loucos sentem a dor
antes de acordar
a noite (sendo) em sintoma
é o equilíbrio do devaneio
à fantasia nos eixos
certeiros
é preciso de jogo de cintura
pra tanto vai e volta
lembra e esquece
ouve e cega
falho a fala
na certeza
intermediada
autoanalisada
na dúvida
6.CINEMA É AÇÃO
quero morte sem pendências
amor com violência
(enquanto só a aparência é
representada)
o ambiente vem do filme
a atmosfera vem da arte
quem balança não cai,
canta, cansa, dança
(atrás das grades)
o encontro do desencontro
é o romântico por excelência
quero por própria experiência
matar a minha vontade de morrer
mas de ser reconhecida
na tua boca,
na tua tela
ou num livro
da (nossa)
vida
7.AGRESSIVIDADE SUBLIMADA
quando a inspiração vem da luz mais clara
a piração da ilusão arremata
o surto no susto
(o surto só é coerente com o pensamento de quem pensa)
e o amor
(inconsciente)
só segue seguindo
se eu der sentido,
papel e caneta,
luz
câmera
e
ação
ao destino.
cinema é tudo,
senão
isso:
ver,
sentindo
que não
está
sendo
visto.

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